Projeto da Marquês de Paraná segue desconhecido pelos ciclistas

Ao que tudo indica, a conexão cicloviária que será implantada pela Prefeitura de Niterói a partir do mês dezembro, através de outorga onerosa em função de um grande shopping center na Av. Marquês de Paraná, apresenta 2 problemas cruciais: a exclusão da Zona Norte e a opção pela calçada compartilhada.

ZONA NORTE EXCLUÍDA

Contrariando o que foi ao prometido pela própria prefeitura, ao longo dos últimos anos, o projeto (ainda desconhecido por nós) não contempla a Zona Norte. Nada foi dito sobre a Av. Jansen de Melo e a conexão da Av. Amaral Peixoto à Rua São Lourenço, via com ciclofaixa e grande presença de ciclistas. Confira, abaixo, as promessas da prefeitura:

Interligar Região Oceânica, Praias da Baía de Guanabara, Zona Norte e Pendotiba com a malha de ciclovias.

Campanha Eleitoral 2012: Rodrigo Neves / Axel Grael

Entregar a malha cilcoviária pronta e completa ligando a Zona Norte e a Zona Sul à Marques do Paraná até o final do ano de 2015

Audiência Pública / Sistema Cicloviário (06/08/15)

Esta ciclofaixa vai ligar a ciclovia da Avenida Roberto Silveira à da Rua São Lourenço, facilitando o acesso tanto dos ciclistas da Zona Sul, como os da Zona Norte, ao Centro da cidade. O funcionamento provisório servirá como teste para a futura implantação de infraestrutura cicloviária permanente nesta via.

Guia de Niterói (31/08/2015)

Agora, assista à fala do prefeito Rodrigo Neves no dia do aniversário da cidade (22/11/17), durante a solenidade de assinatura do contrato para o início das obras.

CICLOVIA OU CALÇADA COMPARTILHADA?

De acordo com a imagem do banner utilizada na própria apresentação e  uma outra imagem que circula na internet, tudo leva a crer que os planos desta gestão é implantar uma calçada compartilhada no local ao invés da ciclovia, conforme prometido e anunciado nos meios de comunicação ao longo dos últimos anos.

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reprodução / internet

Recentemente postamos em nosso blog a visita técnica que fizemos às obras da TransOceânica e demostramos, na prática, que além de contraiar a definição de ciclovia do Código de Trânsito Brasileiro, a calçada compartilhada NÃO ATENDE à circulação dos ciclistas da cidade. 

MOBILIZAÇÃO

Na semana passada solicitamos ao programa Niterói de Bicicleta, copiando diversas iniciativas e associações, o projeto executivo desta intervenção. No entanto, recebemos como resposta que o nosso pedido seria encaminhado à Secretaria de Mobilidade e Urbanismo (SMU), a responsável pela obra (e-mail abaixo).

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A partir desta segunda feira, cobraremos dos mandatos que assumiram o compromisso legislativo pela mobilidade ativa em 2016 que encaminhem ofícios e/ou indicações legislativas à SMU solicitando, em regime de urgência, o projeto executivo para que este seja finalmente conhecido pelos ciclistas da cidade.

Aguardem as cenas dos próximos capítulos.

Compartilhe este post e colabore na mobilização!

 

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O que será da Rua São Lourenço?

É com muita preocupação que o Pedal Sonoro, assim como as entidades que participam da campanha Bicicleta nas Eleições em Niterói, acompanham a recente e, aparentemente, inacabada intervenção viária na Rua São Lourenço. Esta importante conexão entre a Zona Norte e a Zona Sul / centro da cidade, representa um exemplo incontestável de como o poder público municipal trata os cidadãos que optaram pela mobilidade ativa.

A calçadas estreitas e com péssima pavimentação, muitas vezes obstruídas devido à postes mal instalados e estacionamento irregular refletem o completo descumprimento da legislação federal, expondo os pedestres a riscos absolutamente desnecessários.

Para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte, a situação também é crítica! A ciclofaixa implantada em 2012, também conhecida como “ciclofaixa do descaso“, na verdade, limita-se a uma faixa pintada no chão. Não possui sinalização alguma ou elementos segregadores, apesar de prometidos “para o dia seguinte” pelo próprio prefeito Rodrigo Neves durante uma reunião com ciclistas em março/2015. Os usuários ainda sofrem com obstruções, presença de pedestres devido às péssimas calçadas, estacionamento irregular e a invasão de motoristas no espaço exclusivo dos ciclistas, muitas vezes em altas velocidades.

slourenco

A Carta Compromisso, assinada pelo prefeito reeleito Rodrigo Neves durante sua campanha eleitoral, traz dez propostas para promover os modos ativos e aumentar a segurança das pessoas. Confira, abaixo, uma destas propostas:

Construir novas infraestruturas e aprimorar as existentes, essenciais para o deslocamento de pedestres e ciclistas (malha cicloviária, sinalização, faixas de pedestre, calçadas etc). Valer-se das intervenções urbanas e viárias, periódicas ou não, para a inclusão dessas estruturas, de forma a aumentar a segurança das pessoas.

De acordo com este compromisso assumido pela atual gestão, esta intervenção deveria representar uma oportunidade para se requalificar as estruturas destinadas a pedestres e ciclistas, ampliando e melhorando as calçadas, a estrutura cicloviária e a sinalização.

No entanto, após um novo recapeamento asfáltico em novembro, nenhuma atenção foi dada às calçadas, a via segue praticamente sem sinalização (faixas de rolamento, faixas de pedestres, etc) e o novo traçado/pintura da ciclofaixa apresenta um considerável estreitamento em relação à estrutura anterior.

Será que a Prefeitura de Niterói seguirá tratando os pedestres e ciclistas com o descaso habitual ou saberá aproveitar as oportunidades e cumprir os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral?

O tempo vai dizer!