O futuro da mobilidade urbana no Brasil

O próximo presidente do Brasil será eleito no próximo domingo (28) e terá grandes desafios pela frente. Além de reunificar o país, dividido politicamente antes mesmos do processo eleitoral, deverá desenvolver e implementar políticas públicas para o desenvolvimento da economia, educação, saúde, segurança, dentre outras áreas.

Enquanto cidadãos-ciclistas e pedestres precisamos conhecer as propostas para a mobilidade urbana materializadas nos planos de governos dos presidenciáveis.

Mobilidade urbana é a condição criada para as pessoas poderem selocomover entre as diferentes zonas de uma cidade.

Atualmente, os automóveis particulares e os meios de transportes públicos são os meios de mobilidade urbana mais utilizados.

O Brasil é um dos países que mais sofre com problemas de mobilidade urbana, justamente por ter um histórico de planejamento urbano baseado no modelo rodoviarista, ou seja, um grande investimento na expansão e melhoramento das rodovias.

Justamente por isso, estudamos os planos de governo de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) através de uma metodologia simples, a partir de palavras-chaves, todas elas diretamente relacionadas com à qualidade de vida de quem se desloca a pé, de bicicleta, de transporte público, ou mesmo de automóvel nas cidades.

palavras.png

Também destacamos algumas das propostas para a mobilidade urbana,  encontradas nos Planos de Governo. Confira abaixo!

Fernando Haddad (PT)

Além da saúde do trabalhador, o governo Haddad vai produzir políticas intersetoriais, por exemplo, para reduzir os acidentes de trânsito e todas as formas de violência, com a participação de diversas áreas do governo, para garantir atenção especial e integrada às populações vulneráveis. Serão implantadas ações voltadas para a saúde das mulheres, pessoas negras, LGBTI+, idosos, crianças, juventudes, pessoas com deficiência, população em situação de rua, população privada de liberdade, imigrantes, refugiados e povos do campo, das águas e das florestas. (pág 29)

A transição ecológica tem como horizonte o Direito à Cidade, entendido não apenas como o combate às desigualdades, com a provisão de moradia digna, segurança jurídica na posse da terra e condições básicas de infraestrutura urbana, que fazem parte da agenda da reforma urbana, como também a democratização dos espaços urbanos, a prioridade do viário para o transporte coletivo e mobilidade ativa e a perspectiva de tornar as cidades mais limpas e saudáveis. (pág 52)

A prioridade do governo será apoiar a expansão e a modernização dos sistemas de transporte público, prioritariamente os de alta e média capacidade– trens, metrô, VLT, BRT e corredores exclusivos de ônibus. Simultaneamente, serão incentivados Estados, DF e Municípios a promover o transporte público confortável – piso rebaixado, motor dianteiro, ar condicionado, suspensão macia – e a implantação de ciclovias, exigindo essas políticas como condição de acesso a recursos para mobilidade.

Um dos maiores desafios para assegurar o viver bem nas cidades é a mobilidade urbana, especialmente nas grandes cidades. Por isso, vamos investir em infraestrutura de mobilidade sustentável, que reduza o tempo de deslocamento das pessoas, que rompa com o paradigma excludente e poluente do transporte individual motorizado e que assegure tarifas acessíveis. (pág 54)

A diretriz estratégica é o fomento ao transporte público acessível e inclusivo para pessoas com deficiência e idosos, que dê conforto e segurança aos passageiros e que já antecipe o fato de, nos próximos anos, haver mais idosos do que crianças no Brasil. Além disso, o governo Haddad municipalizará a CIDE combustível para assegurar a redução das tarifas, expansão das gratuidades e do transporte público.

Serão incentivados os sistemas de carona solidária e de compartilhamento de veículos, que aumentam a eficiência de consumo de combustível e uso do espaço urbano com veículos individuais. Além disso, o governo fará investimentos no desenvolvimento tecnológico nacional para alavancar a frota de veículos movidos a etanol, biodiesel, biocombustíveis e híbridos; também serão incentivados os veículos elétricos alimentados pela eletricidade limpa. Será promovido ainda o transporte não motorizado, com a expansão de ciclovias e calçadas. Em parceria com os Municípios, DF e Estados, o governo federal vai desenvolver políticas para redução drástica dos acidentes e mortes no trânsito, através de ações permanentes nas escolas e junto à sociedade, com melhoria na formação de condutores e com redução de velocidade nos centros urbanos. (pág 55)

 

Jair Bolsonaro (PSL)

O plano de governo do candidato não apresenta nenhuma proposta voltada para a mobilidade urbana, apesar de fazer regência às palavras-chave.

Para aumentar a importância do Gás Natural no setor, é importante acabar com o monopólio da Petrobras sobre toda a cadeia de produção do combustível, mediante o Livre acesso e compartilhamento dos gasodutos de transporte. (pág 75)

Brigar para que os jovens tenham um futuro e os idosos não fiquem desamparados por um estado falido, uma educação aparelhada ideologicamente e uma saúde em frangalhos. (pág 80)

vote.png

Os planos de governos utilizados nesta consulta estão disponíveis no site do TSE.

Você pode e deve acessá-los para conferir estas e outras propostas!

 

radio.png
ou acesse: www.radio.pedalsonoro.com.br

Vantagens da Bicicleta

A campanha BICICLETA NOS PLANOS é realizada pelas associações Bike Anjo e UCB – União de Ciclistas do Brasil, com apoio do Instituto Clima e Sociedade – ICS, e tem como objetivo orientar a sociedade civil organizada e cidadãos, bem como técnicos municipais e decisores políticos para a INCLUSÃO DA BICICLETA, enquanto meio de transporte, no planejamento urbano, através da sua inserção nos PLANOS DE MOBILIDADE URBANA.

 

Em Niterói, o coletivo Pedal Sonoro é o operador da campanha.

imagem.png
para saber mais sobre a campanha: clique aqui

#01 A BICICLETA É UM MODO DE TRANSPORTE MUITO EFICIENTE

Até 5 quilômetros, a bicicleta é o modo de transporte mais rápido em uma cidade, além de flexível, uma vez que você pode parar em (quase) qualquer lugar sem atrapalhar quem está andando e se locomovendo pela cidade de outras formas e em outros modos de transporte ou a pé.

Você pode deixar sua bicicleta próxima de você ao parar em um local para tomar cafezinho, por exemplo. Já pensou nisso?

#02 BICICLETAS AJUDAM A REDUZIR ENGARRAFAMENTOS

Ruas e avenidas foram projetadas para receberem mais carros, mas o resultado, a cada ampliação viária, é sempre o mesmo: congestionamentos iguais e cada vez mais carros.

Ônibus, trens e metrôs são trocados, melhora-se a tecnologia, aumentam as linhas, porém, na hora do rush, o resultado é sempre o mesmo: pessoas espremidas, cansadas e precisando ir para algum lugar.

Um ciclo vicioso? Não para todos. Pessoas em bicicletas usam uma pequena fração do espaço urbano gasto pelos carros e se movem mais facilmente nos congestionamentos. Ou seja, mais gente andando de bicicleta, menos carros parados nos congestionamentos e mais fluidez para o transporte coletivo.

#03 A BICICLETA DÁ MAIS AUTONOMIA ÀS CRIANÇAS E JOVENS

Há muitos anos, crianças e jovens iam às escolas sozinhas, caminhando ou pedalando. Elas continuam querendo fazer isso, embora não o façam. A principal razão para é a discrepância entre o desejo das crianças (de ir de um jeito mais divertido e dinâmico para a aula) e a preocupação dos pais com relação à segurança dos pequenos.

Não por acaso – e não somente por isso – no Brasil, um a cada dois adultos está obeso e uma a cada cinco crianças também. Andar e pedalar para a escola é uma forma de adultos e crianças mudarem esse cenário nacional.

#04 A BICICLETA DEMANDA MENOS ESPAÇO URBANO

Nas cidades, o espaço urbano está sempre em disputa: alguém quer usá-lo de alguma forma, por meio da construção de algo.

Ruas e estacionamentos para carros têm um altíssimo custo financeiro para os municípios, estados e para a União e também ocupam enormes parcelas do espaço público.

Vias para passar bicicletas e pessoas a pé custam muito menos para serem implementadas, além de ocuparem um espaço público muito menor. Ou seja, com mais pessoas pedalando nas ruas, espaços que antes eram ruas e avenidas poderão ser transformados em praças, parques, escolas, postos de saúde e outras tantas funções de fato necessárias para a vida em uma cidade.

#05 INTERMODALIDADE

A depender da estrutura de sua cidade e do bairro onde você mora, a intermodalidade pode ser bastante interessante. Viabilizar a integração entre modos de deslocamento, como bicicleta e ônibus, é papel do Estado.

Aproveite o período eleitoral para pautar a ideia junto aos candidatos. Integrar o transporte coletivo ao uso da bicicleta é um ganho geral.

foto.png

#06 BICICLETAS SÃO MAIS SEGURAS

Uma pesquisa alemã de 2004 mostrou quais as chances que temos de sofrer um ferimento na cabeça em vários momentos. Vale ressaltar que, na Alemanha, a taxa de motorização (pessoas/carro) é superior ao Brasil, embora o % de uso da motocicleta seja superior aqui.

A saber:

48% andando de carro
26% praticando alguma atividade de lazer 13% andando de moto
9% trabalhando
2% cometendo um crime
1% pedalando
1% caminhando

Ou seja, andar de bicicleta é seguro. E pode ser mais e mais, desde que hajam políticas voltadas assegurar ainda mais o direito à cidade.

#07 MAIS BICICLETAS, MENOS ACIDENTES

Um estudo austríaco feito entre 1992 e 2004 mostrou que, enquanto houve aumento de 40% no tráfego de bicicleta, a quantidade de pessoas feridas por bicicleta por quilômetro pedalado diminuiu 40%. Ou seja, mais pessoas pedalando, menos colisões com bicicletas acontecerão. O mesmo foi constatado na Alemanha.

Você dirá: mas somente exemplos estrangeiros? Não. São Paulo, recentemente, vivenciou o mesmo processo e mostrou que, quanto mais pessoas pedalando, menos feridos andando de bicicleta acontecerá por bicicleta por quilômetro rodado.

Uma cidade ciclável é mais segura simplesmente porque tem mais pessoas pedalando.

#08 MAIS BICICLETAS, MAIS SAÚDE

Fato: Bicicleta é um modo de transporte limpo.

Estudos em todo o mundo, incluindo o Brasil, têm demonstrado que os combustíveis usados nos automóveis tem causado câncer de pulmão nos moradores das cidades, especialmente por conta das partículas advindas da combustão do diesel. Em vias engarrafadas, essas emissões aumentam ainda mais. Ou seja, você não precisa ser um fumante para correr risco de ter um câncer de pulmão.

Então, o que você pode fazer para minimizar esses riscos? Pedale! Caminhe! E mais pessoas andando a pé ou de bicicleta contigo, mais chance do ar da sua cidade se tornar menos poluído.

#09 MAIS BICICLETAS, MENOS BARULHO

Quanto mais gente pedalando e menos usando automóveis e motos, mais saudável estará a cidade no que diz respeito aos sons que nela são produzidos.

Hoje em dia, as emissões irregulares de ruídos e sons, que colaboram para a poluição sonora das nossas cidades, passou a ser um dos principais problemas dos centros urbanos,
em especial os ruídos que têm por fonte automóveis e motos. Quais são? Alguns exemplos: barulhos do motor, da aceleração, das frenagens, buzinas, alarmes e também os de som automotivo.

Estudos têm mostrado que a poluição sonora provoca malefícios à saúde humana, causando distúrbios físicos e mentais. Além disso, a própria emissão de ruídos ou sons gera perturbação à segurança viária (lembre-se do som de um engarrafamento!), ao sossego público (se recorde de quando você queria caminhar tranquilamente pela calçada!) e faz mal o meio ambiente (está lembrando do cheirinho da poluição?). Ou seja, a poluição sonora gera problemas tanto para a coletividade quanto para cada pessoa que vive nas cidades.

#10 MAIS BICICLETAS, MAIS ECONOMIA

O uso da bicicleta demanda poucos investimentos públicos, se compararmos com o que se gasta para tentar aumentar o fluxo dos automóveis nas cidades (avenidas, viadutos, pontes estaiadas, vias rápidas, trincheiras, etc) e a manutenção disso tudo, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.

Além disso, o custo com o estacionamento de bicicletas
é, também, muito menos do que o para automóveis, seja pela quantidade de espaço necessária para a obra (ver Vantagem#4), seja pelo material que se utiliza em ambos os casos.

Quanto mais pessoas utilizando bicicleta em detrimento
do uso do automóvel, mais se economizará com recursos da gestão municipal, estadual e federal destinados à saúde pública, quer pelos benefícios à saúde de cada pessoa, evitando assim a necessidade de acessar um médico, quer pela economia de recursos que seriam gastos por conta da poluição gerada pelos automóveis e também pelas colisões, atropelamentos e mortes.

Em épocas onde há limitações de investimentos públicos, escolher a opção mais barata e com mais benefícios à vitalidade das cidades e à saúde das cidadãs e cidadãos parece uma escolha inteligente e sustentável.

8ced1b49c0d37efa5493cc81a45bda74.png

Clique aqui, para escutar!