Alemanha: 50 mil carros a menos

Está em construção na Alemanha a maior autoestrada de bicicletas do mundo. Ainda sem prazo definido para o término da obra, ela interligará 10 cidades e será capaz de subtrair das ruas nada menos que 50 mil automóveis. A RS-1 terá ao todo mais de 100 quilômetros de extensão!

Além das cidades, ela vai conectar também quatro universidades. Em 2010, um projeto cultural fechou por um dia a rodovia entre as cidades alemãs de Duisburg e Dortmund. O acesso de cerca de três milhões de pessoas caminhando, patinando ou pedalando ao longo da estrada foi o que incentivou o poder público a desenvolver a ideia.

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autoestrada para pessoas (2010)

Na época, Martin Tönnes aproveitou a oportunidade para pedalar de Essen para Dortmund: “Havia tantas pessoas que, pela primeira vez na minha vida, experimentei um engarrafamento de bicicleta!”.

Martin faz parte da equipe que planeja e dá continuidade ao projeto, junto ao poder público na Alemanha. “Foi quando começamos a pensar em construir uma rodovia para bicicletas na região do Ruhr. Quando vimos essa massa de pessoas descendo a rodovia, percebemos que havia uma demanda real”, relembra.

Cinco anos depois, em dezembro de 2015, foi inaugurado o primeiro trecho da radschnellweg – rodovia de bicicletas – conectando as cidades ocidentais de Mülheim an der Ruhr à Essen.

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trecho concluído da RS-1

Sem prazo definido para conclusão, a RS-1 já conta com com incentivo da União Europeia que vai financiar parte do empreendimento. Será implementado ainda túneis e passagens aéreas, de modo a tornar mais confortável o deslocamento de ciclistas. De acordo com estudo da Regional Association Ruhr, a maior rodovia de bicicletas do mundo vai reduzir 16 mil toneladas de emissão de CO² na atmosfera.

Na rota vivem mais de 1,6 milhões de pessoas. 150 mil estudantes e 430 mil postos de trabalho. Os gestores alemães consideram que esses números, juntamente com o crescimento de ciclistas que ela vai trazer, são mais que suficientes para estimular uma nova era de ciclomobilidade no país.

BRASIL

É difícil imaginar algo dessa magnitude no Brasil. Além da falta de vontade política dos governos municipais, estaduais e federal, a cultura de participação dos cidadãos por aqui ainda é muito desorganizada. Falta mobilização e organização de ciclistas e pedestres. Poucas pessoas fazem parte de coletivos e associações com objetivos e propostas, e quase sempre não são reconhecidos pelos representantes dos poderes legislativo e executivo.

Pressionados por empresas ligadas ao mercado de venda de peças e automóveis que financiam campanhas eleitorais, os governantes priorizam obras e políticas públicas que continuam a incentivar o uso dos automotores.

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Praia de Icaraí / Niterói

Especialistas em segurança viária alertam sobre o retrocesso que representam as medidas anunciadas pelo governo brasileiro. Na França, estradas, rodovias e vias internas nas cidades contam com um severo controle de velocidade e fiscalização, além de punição exemplar das infrações cometidas por motoristas. A fiscalização eletrônica é uma realidade. Os radares auxiliam os agentes de trânsito.

No Brasil a nova lei sugere aumentar o limite de pontos para a suspensção da habilitação, passando de 20 para 40 pontos. Na Alemanha o limite para a suspensão é de 8 pontos em 2 anos e meio. Ao atingir entre 4 e 5 pontos o condutor recebe uma advertência. De 6 à 7, é obrigado a assistir palestras educativas. Atualmente, o governo alemão estuda impor limite de velocidade nas rodovias, acabando com as autobahnens – estradas onde não existem limites de velocidade. Assim como ocorreu na Holanda e vêem ocorrendo em quase toda a Europa, ciclistas e pedestres preocupados com os altos índices de fatalidades no trânsito se organizaram e estão cobrando do poder público o direito à vida.

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manifestação na Holanda pelo direito à vida

Nos anos 1970 em Amsterdam, a população promoveu diversas manifestações exigindo do governo ações práticas que revertessem o trágico quadro de violência no trânsito. Na época, mais de 400 crianças morriam todos os anos em decorrência de acidentes. Impulsionados pela crise do petróleo as autoridades mudaram o planejamento da cidade, tornando-a com o passar dos anos em exemplo de ciclomobilidade.

Fontes: DW – Deutsche Welle / Bicicleta e Companhia

 

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Um comentário

  1. Meu nome é Ricardo, tenho 61anos e a minha decepção com o Brasil é crescente tanto que o meu maior desejo é poder ir morar num país como este que valoriza a vida humana e o planeta, meus parabéns.

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